Há espaço para o amor na dependência química?

Independentemente de sua definição, alcoolistas e dependentes químicos são capazes de amar. Não à toa são envolvidos em sentimentos de culpa recorrentes em razão de sentirem decepcionar e trair a confiança dos seus amados. Ressentem-se por causar preocupação, por deixar os outros tristes com eventuais mentiras e manipulações, e sentem medo de que os outros desistam deles. Não é fácil lidar com promessas repetidamente quebradas, olhares de decepção, outros de raiva...

Por que a sobriedade pode gerar crises nos relacionamentos?

Em um primeiro momento essa pergunta pode causar bastante estranheza, visto que, na perspectiva mais comum, o processo de abstinência tende a gerar também melhorias significativas nos relacionamentos daqueles que se esforçam para ficar “limpos”. E isso também é verdade. Porém, há relacionamentos específicos que podem sofrer duros impactos no período em que o usuário para de usar drogas.

A Teoria do Casamento Alcoolista

Pode ser que a partir do momento em que o marido tenha começado a beber excessivamente, a mulher tenha tido que fazer uma escolha entre deixar a instabilidade habitar sua vida em vários níveis ou tentar assumir algum controle da situação. O comportamento da esposa, por pior que seja, soa muito mais ser uma reação de adaptação frente ao agravamento do quadro de alcoolismo do marido do que a expressão de um desejo inconsciente de sua piora. Ou seja, dizemos que a mulher apresenta vários estilos de enfrentamento frente às adversidades promovidas pelo problema do marido, o que segue uma trajetória razoavelmente previsível.