Redução de Danos: o que seria isso?

Em certos momentos durante o atendimento de pessoas com problemas com substâncias ouvimos propostas para adotarmos uma perspectiva de Redução de Danos. Em geral, quando a proposta chega dessa forma, estas pessoas se veem desesperançosas quanto a absterem-se do uso de substâncias, seja porque tentaram várias vezes sem sucesso, seja porque anseiam conseguir manter um uso “controlado”. No fundo, existe muita desinformação sobre o que é Redução de Danos (RD).

Por que nos drogamos?

(...) por mais estranho que isso possa soar, praticamente todos nós nos drogamos em algum momento da vida e que provavelmente “repetiremos a dose”. Por fatores que podem ser bem variados relacionados a nossa história de aprendizagem, muitas vezes sentimos a necessidade de nos drogarmos.

“Hoje eu mereço”: drogas e a necessidade de recompensa

A busca por um momento de alívio e de descontração é uma necessidade real frente ao ritmo intenso da vida contemporânea e das nossas relações e atividades profissionais. Não existe problema quanto a isso. Entretanto, dada a imensa possibilidade de atividades que cumpririam adequadamente essa função, o uso de drogas pode se tornar uma escolha ruim por inviabilizar outras tarefas e por criar problemas que tornam a rotina ainda mais estressante.

Exames toxicológicos: o que são e para que servem no tratamento de drogas?

Exames toxicológicos têm um valioso espaço dentro do tratamento da dependência de substâncias ilícitas como maconha, cocaína, crack, entre outras. Os exames de urina são mais comuns de se utilizar. Eles são capazes de rastrear a presença de algum metabólito destas substâncias dentro de uma margem de 3 a 4 dias. Assim sendo, os exames de urina detectam uso recente da substância, embora possam ser sensíveis mesmo após 4 semanas diante de uso pesado de drogas como maconha, em razão da retenção nos tecidos do corpo. Via de regra, exames toxicológicos auxiliam no aumento da monitoria do uso de substâncias, contribuindo para avaliar os resultados do tratamento. Também contribuem para o planejamento de intervenções, como é o caso (...)

O problema das superstições e soluções mágicas no tratamento de drogas

A incerteza quanto ao entendimento do que é a dependência química e de seu curso “natural” pode favorecer a noção de que não existe um caminho melhor, ou mesmo tratamentos corretos para a dependência. (...) O uso de remédios milagrosos, industrializados ou não, práticas místicas, rituais de purificação e outras práticas alternativas tendem a ser atitudes que amenizam o sentimento de impotência frente ao problema, mas raramente contribuem para uma melhora real.

A redução do desejo de usar drogas é consequência e não causa!

“Não é a falta do desejo de usar que produz a abstinência, mas sim a abstinência leva a diminuição do desejo de usar” (...) devemos buscar enfocar naquilo que está sob o nosso controle, nas atitudes que podemos tomar e nas mudanças que podemos implementar. O surgimento do desejo de usar uma droga não é possível de ser diretamente influenciado, mas é uma situação que podemos modificar dependendo da forma como conduzimos o processo de ficar sem ela.

Por que o dependente químico mente?

Negar que a mentira faça parte do cotidiano do dependente de substâncias é ignorar a realidade. A mentira, assim como a omissão, está presente na vida de qualquer pessoa e faz parte do nosso dia a dia. Em certa medida elas são necessárias para nossa sobrevivência social. (...) No entanto, quando a serviço da manutenção do uso de substâncias, a mentira pode se tornar uma ferramenta muito nociva.

Vale a pena punir o usuário de drogas?

Quando percebemos algum indivíduo próximo a nós que possa estar de alguma maneira ameaçando a sua sobrevivência ou a nossa sobrevivência como espécie, tentamos exercer um controle sobre o comportamento daquele sujeito e podemos fazer isso de formas diversas(...) Nosso sistema social é muito organizado ao redor daquilo que denominamos de controle coercitivo e, normalmente, utilizamos desse recurso para estabelecer e controlar os comportamentos dos indivíduos do sistema.