Drogas lícitas e ilícitas. Faz diferença?

Uma situação muito comum na vida de quem convive com um dependente químico é a preocupação quanto ao caráter ilegal do uso de drogas.

A ilegalidade de uma substância tende a aumentar a preocupação das pessoas próximas quanto ao uso e os problemas que dele decorrem. Entretanto, o caráter legal de uma substância, ser lícita ou ilícita, não constitui critério para um diagnóstico ou prognóstico, ou seja, não há como saber a partir desse aspecto qual o grau de comprometimento do usuário em relação a droga nem sobre o seu envolvimento ou sucesso em um tratamento.

O uso de drogas lícitas é mais socialmente aceito e excessos cometidos quando em uso tendem a ser relativizados e minimizados. Um problema decorrente do uso abusivo de álcool, tabaco ou medicamentos pode ser camuflado pelo “beber social” ou “uso por necessidade”. Mesmo a percepção do uso problemático de uma substância lícita é algo que tende a ser entendido como uma fase ou problema de simples solução.

drogas lícitas

Por outro lado, o caráter ilícito de algumas substâncias mantém o usuário e mais ainda a família alertas a problemas decorrente do uso, já que associado à noção de ilegal vem a ideia de risco e de problemas. A percepção do problema, no caso das drogas ilícitas pode vir a ser mais rápida. Apesar disso, a busca por ajuda tende a se retardar. A vergonha envolvida no processo de buscar ajuda aumenta quando se pretende combater algo que possui o caráter de errado e ilegal. Assumir um problema com o uso de drogas ilícitas parece também assumir que “sabia-se dos riscos”, além de correr o risco de que seu problema seja taxado com um problema de ordem moral.

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Por outro lado, a vergonha presente no caso das drogas lícitas normalmente é fruto da sensação de que as outras pessoas não têm esse tipo de problema, que os “bebedores sociais” são pessoas mais “fortes” e que o usuário com problemas possui uma fraqueza.

Cada indivíduo estabelece uma história de uso com a substância. O aspecto legal da substância não implica em falha de caráter, ou mesmo em uma maior ou menor dificuldade de tratamento. Como temos apresentado em outros textos, a dependência química é um fenômeno de ordem física, psicológica e social, logo o caráter legal do uso não é uma diretriz definitiva do tratamento. A história do indivíduo com a substância e a função que a mesma assume em sua vida são fatores que devem ser trabalhados e cuidados com prioridade, a despeito do caráter lícito ou ilícito da substância.

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