A Teoria do Casamento Alcoolista

Para início de conversa, deixemos claro que apesar de encontrarmos tanto homens como mulheres alcoolistas, neste post daremos destaque ao relacionamento conjugal na perspectiva onde apenas o homem é alcoolista. Optamos por isso meramente por esta configuração ser a mais comum, mesmo sabendo de circunstâncias onde a questão é inversa.

O que diz a teoria do casamento alcoolista? Trata-se de uma teoria popular na década de 80, a qual tentava explicar alguns padrões de comportamento tipicamente encontrados em esposas de alcoolistas. Ela partia da observação de atitudes inadequadas do cônjuge em relação ao membro com problemas com álcool como, por exemplo, um excesso de permissividade em relação ao uso de álcool dentro ou fora de casa, aumento das queixas sobre a piora da relação desde que o marido ficou sóbrio, ou um excesso de rigidez e controle sobre o comportamento alheio, entre outras reações. Amparada pela observação de que muitas destas esposas também tiveram um pai alcoolista, a teoria pressupunha a mulher ter escolhido se casar com um homem com traços semelhantes a de seu pai, no intuito de reeditar alguns conflitos psicodinâmicos desta relação. Havia a suposição de que a mulher gozava de alguma satisfação em manter o marido na condição de dependência por álcool, desejando de maneira inconsciente que ele continuasse a beber, satisfazendo-se em ver o marido fraco, inferior, e desfrutando de uma posição de dominação em relação a ele, ou mesmo de vítima.

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Embora possamos encontrar relações bastante disfuncionais em casais, onde a esposa contribui negativamente ou não contribui para a recuperação do marido, é exagero dizer que esta teoria seja a regra! Além disso, o fato da esposa com frequência possuir um pai com problemas com álcool não permite interpretarmos sempre seu comportamento como uma tentativa inconsciente de reeditar esta relação.

Pode ser que a partir do momento em que o marido tenha começado a beber excessivamente, a mulher tenha tido que fazer uma escolha entre deixar a instabilidade habitar sua vida em vários níveis ou tentar assumir algum controle da situação. O comportamento da esposa, por pior que seja, soa muito mais ser uma reação de adaptação frente ao agravamento do quadro de alcoolismo do marido do que a expressão de um desejo inconsciente de sua piora. Ou seja, dizemos que a mulher apresenta vários estilos de enfrentamento frente às adversidades promovidas pelo problema do marido, o que segue uma trajetória razoavelmente previsível.

Vamos ilustrar alguns destes estilos de enfrentamento.

Afastamento

Neste estilo de enfrentamento o contato é minimizado ao extremo e há uma esquiva emocional e física. A mulher tende a retirar-se do convívio social com o marido, evitando situações de potencial vexame para ambos ou onde preveja a necessidade de cuidar dele. Passa a evitar o contato sexual em razão da frequente alcoolização do marido, além de situações de convívio doméstico pelo modo inconveniente como este a trata e aos filhos, ou mesmo situações onde poderia encontrá-lo agressivo.

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Ataque

Neste caso, a esposa tenta mudar o comportamento do marido atacando suas características e sua forma de beber. Tenta controlar seu comportamento monitorando seus passos, criticando, gritando, ameaçando deixá-lo ou mesmo agredindo-o fisicamente. No intuito de controlar seu consumo de álcool, joga fora suas bebidas e não poupa esforços em criticá-lo para sua família ou amigos de modo que tomem alguma atitude sobre ele.

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Manipulação

Este estilo de enfrentamento é caracterizado pela tentativa da esposa envergonhar o marido de modo a este sentir-se culpado o suficiente para tomar uma decisão por deixar de beber. Ela pode acentuar seu sofrimento, beirando a dramaticidade. O mesmo o faz com relação ao sofrimento dos filhos, dizendo que estão sofrendo por causa dele, por exemplo. Não que o sofrimento não seja verdadeiro, mas estamos nos referindo à amplificação destes ou no estabelecimento de relações causais duvidosas, no intuito de mobilizar sentimento de culpa no marido.

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Neste caso, a esposa procura minimizar os efeitos adversos do álcool para o marido, cuidando dele durante suas ressacas, tratando-o de modo especial caso ele esteja debilitado e prometendo-lhe benefícios caso ele melhore.

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Condução construtiva

A mulher procura manter seu senso de autoestima intacto, cuida de sua vida e de sua família, assegurando-se que nada falte a ela e aos demais dependentes. Ao mesmo tempo, procura informar-se sobre o problema, as maneiras de ajudar, pesquisa e oferece tratamento, ao passo que estabelece limites pessoais para manter-se nesta relação.

A verdade é que não existe um estilo de enfrentamento puro. Todas estas formas de se comportar soam ser tentativas realizadas pela esposa diante do agravamento da dependência alcoólica do marido. Alguns destes padrões encontram maior estabilidade na pessoa por suas características, habilidades pessoais e seus efeitos sobre o comportamento do marido.

Ao longo do tempo, as melhoras e pioras do marido em relação ao problema com álcool podem gerar para a esposa um estado de exaustão, resultado do desinvestimento e investimento reiterado ao longo de anos. Sentimentos de autoacusação, crenças de ter falhado em algum aspecto com o marido, raiva dirigida a ele, são alguns elementos conflitantes desta relação quando não tratada adequadamente.

Também é fato que mesmo depois de interrompido os problemas com álcool, a esposa pode ainda se sentir insegura em relação a estabilidade do marido no novo padrão de comportamento sóbrio, a ponto de ter dificuldades em reinvestir emocionalmente na relação ou reatribuir funções que passou a assumir na “ausência” deste, como a educação dos filhos, entre outras. Tais aspectos podem ser alvos de crítica do marido e aspectos igualmente importantes para resolução, seja pela reinserção do membro dependente na família, seja pela promoção de bem estar conjugal e familiar.

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